Dos três cesteiro que existem em Santa Eulália, dois encontram-se no lugar da Carvalheira. O Sr Augusto Martins Moreira com 76 anos na data em que tivemos o prazer de conversar com ele, começou a trabalhar nesta profissão com sete anos de idade. Tal como era habito noutros tempos algumas profissões iam passando de pais para filhos, e este é um dos exemplos. O Sr Augusto trabalhou mais de trinta anos “na fabrica” têxtil M. Gonçalves, mas como trabalhava por turnos, sempre arranjou tempo para fazer cestos. Reformou-se pela idade. Quando a sua esposa Virginia Moreira da Silva casou com ele, já o Sr Augusto era cesteiro à muitos anos! Dizia-nos ela... “nunca tive vontade de arranjar um rapaz que fumasse... era cesteiro mas eu nunca pensei em aprender a arte... depois meti-me a ajudar... e hoje sou eu que lavro as canas todas...” O banco, em que faz parte da preparação do material com que trabalha, foi por ele construído. Quando lhe perguntamos como se chamava aquele banco respondeu-nos... ” nós chamamos a isto um burro... para lavrar madeira” A madeira que é utilizada para a construção dos cestos vai desde a austrália ao carvalho, passando pela, mimosa, salgueiro, canas e castanho. A madeira é comprada em verde, depois da pele lhe ser retirada, racha-se e deixa-se secar. Oito dias antes de ser utilizada é colocada de molho. “... Antigamente fazia-se muita coisa em mimosa pois havia madeira de mimosa por todos os cantos...” Neste momento o Sr Augusto utiliza mais as canas pois é um material mais resistente, e os cestos duram mais tempo. As canas são cortadas em Dezembro/Janeiro e devem ter pelo menos um ano de idade. Actualmente ninguém quer dar continuidade a esta profissão pois é difícil viver só deste trabalho. Um cesto de 55 cm leva meio dia a fazer e custa para o negociante 10 € “... dá muito trabalho e pouco dinheiro” 18-09-2007